Trabalhar conjuntamente e unir forças entre todos os segmentos da sociedade para fomentar a inovação e com isso fazer com que o Rio Grande do Sul proporcione melhor qualidade de vida ao cidadão para gerar menos desigualdade social.
Foi o que concluiu o secretário do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT), Evandro Fontana, nesta quarta-feira(13), no encerramento do Seminário de Inovação, Ciência e Tecnologia promovido pela SDECT e Banco Mundial. O seminário contou uma série de palestras com especialistas nacionais e internacionais apresentando um panorama das estratégias de inovação que ocorrem no Brasil e fora de nossas fronteiras.
O Diretor Executivo da Zernike, Bob Hodgson, relatou as experiências inovadoras nas cidade universitária de Cambridge em comparação à industrial Manchester. Ambas passaram por processos inversos, mas nem por isso deixaram de obter sucesso. A primeira tem um campus central composto por 30 faculdades. A Universidade de Cambridge, fundada no século XIII faz pesquisa científica há pelo menos 200 anos. Não por acaso hoje está entre as três melhores do mundo e tem um dos principais parques tecnológicos da Europa.
Esses espaços empregam mais de 100 mil pessoas que estão ligadas diretamente a empresas de alta tecnologia que gastam em torno de 22% de seu faturamento em pesquisa. Já nas empresas de biotecnologia, esse número salta para incríveis 90%. “A cultura da pesquisa progressiva permite que seja possível produzir tudo o que se imaginar em Cambridge quando se fala em tecnologia”, frisou Hodgson.
Em Manchester, cidade natal da revolução industrial e que entrou em declínio no final do século passado, começa a se reerguer através da quarta revolução industrial. E uma das áreas que apresenta melhores resultados na cidade é a de mídia digital. Somente a rede de televisão BBC utiliza 40% dos estúdios de alta tecnologia para gravação de seus programas. A partir dessa revolução, que contou com incentivos do poder público, Manchester passou a ser chamada de Mídia City.
O Diretor de Negócios e Transformação ligado ao Centro do Desenvolvimento Tecnológico – Tecnalia da Espanha, Fernando Espiga, mostrou o exemplo do País Basco. A região autônoma espanhola produz 10% do Produto Interno Bruto da Espanha, representando apenas 5% da população total do país. Este índice mostra que os níveis de produtividade da região estão em uma faixa superior ao da Espanha se comparada com a Europa. Segundo Espiga, esse índice se deve muito à vocação industrial local que rigorosamente vem aplicando em média 2% do faturamento em pesquisa e conhecimento. “Não é uma cifra para que possamos nos orgulhar, mas é um parâmetro importante frente à evolução que estamos tendo ao longo dos últimos anos. A indústria tem um papel muito importante na economia do País Basco e isso nos situa basicamente nos níveis de intensidade industrial em torno de 23%. São níveis semelhantes ao da Alemanha “, sentenciou.
O Diretor Nacional de Inovação e Empreendedorismo da Associação Nacional da Colômbia, Juan Camilo Quintero, comentou o caso emblemático de Medellín. A cidade que nos anos 90 foi considerada a mais violenta do mundo devido ao narcotráfico, em 2012 passou a ser conhecida como a cidade mais inovadora do mundo, segundo publicação internacional. Quintero apontou uma conjunção de forças. A chamada tríplice hélice como fator fundamental para que Medellín se reinventasse: universidade, empresas e governo. “O sucesso de Medellín se deve ao fato de ter havido bons governos sucessivos e sintonizados. O foco foi centrado numa política de construir, ser prospectivo e ter um planejamento estratégico entre a sociedade, o setor produtivo e as universidades. Eu não entendo quando um prefeito quer governar a ciência. A tecnologia e a inovação são instituições de um ecossistema e são elas que determinam o Norte quando se trata de tecnologia para o crescimento de uma cidade” , frisou.
Completaram o ciclo de palestras, Gerardo Gallardo Silva , coordenador da Diretoria de Centros Tecnológicos, integrante da Corporação de Fomento à Produção – CORFO do Chile , Nicolas Tognalli, gerente do Centro de Inovação Tecnológica Empresarial e Social da Argentina, Markus Schreyer , fundador da GaneshLab, empresa de apoio à internacionalização de Startups Tecnológicas, e Jorge Audy, Superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUC-RS.
Texto: Luiz Claudio Farias/Ascom SDECT
Edição: Leonardo Nunes/Secom
Foto: Divulgação