Pelo menos 89% dos brasileiros dizem estar em dificuldade para quitar suas dívidas. Para solucionar seus problemas de endividamento, 20% disseram ter vendido algum bem nos últimos 12 meses. Em parte, isso é explicado pela percepção de queda da renda com perda do poder de compra, apontados pelo estudo Retratos da Sociedade Brasileira – Renda e Endividamento, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa entrevistou, entre os dias 18 e 21 de julho, 2002 pessoas em 141 Municípios.
Segundo o levantamento, 42% dos brasileiros consideram que sua renda diminuiu nos últimos 12 meses. Deste total, 22% avaliam que a renda caiu muito e 20% dizem acreditar que a renda diminuiu pouco. No mesmo período, 59% perceberam piora no poder de compra. Quanto menor a renda familiar, maior a percepção de que sua renda foi reduzida ao longo do tempo. Essa é a situação em que se encontram 35% das pessoas com renda familiar superior a cinco salários-mínimos, e 46% dos com renda familiar inferior a um salário-mínimo.
Em relação ao poder de compra, 59% dos entrevistados disseram ter percebido piora ao longo dos últimos 12 meses – para 34% a sensação é de muita perda, enquanto para 25% a sensação é de pouca perda. Os moradores do Sudeste e do Sul do país são os que mais sentiram o problema – 65% dos entrevistados em cada região. Os do Nordeste foram os que menos perceberam a queda do poder de compra (51%). Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o índice está em 56%.
Perda de recursos
Com a perda do poder aquisitivo, 29% disseram ter sentido dificuldade para pagar aluguel ou prestação da casa própria. Em setembro de 2012 o índice correspondia a 19%. Entre os entrevistados na atual pesquisa, 57% disseram não ter dificuldades com esse tipo de dívida – percentual inferior aos registrados em 2012 (67%) e 2013 (76%).
De acordo com a pesquisa, esse tipo de dificuldade atinge mais intensamente aqueles que vivem em cidades com mais de 100 mil habitantes (31%), do que os que moram em Municípios com até 20 mil habitantes (23%). Mas 60% das pessoas dizem ter passado por dificuldade para pagar as contas ou compras a crédito. Em 2012 o percentual estava em 45%.
Dívidas
A expectativa para 45% dos entrevistados é que, nos próximos seis meses, a renda não sofrerá alterações. No entanto, 37% acreditam que ela diminuirá e 14% que a renda aumentará. De acordo com a CNI, a preocupação em perder o atual padrão de vida atinge 83% dos entrevistados em 2015.
A pesquisa identificou que 37% dos entrevistados se endividaram nos últimos 12 meses com o objetivo de cobrir despesas ou as de sua família. Em 2012, 30% deles se encontravam nessa situação. Entre os entrevistados que disseram ter aumentado suas dívidas, 53% avaliam que isso aconteceu sem planejamento, em função de alguma dificuldade ou necessidade não prevista. A maior parte das dívidas foi em decorrência do aumento das despesas (82%), e 43% dizem foi devido à redução da renda.
O pagamento de dívidas anteriores foi o fator que mais contribuiu para o aprofundamento das dívidas dos brasileiros nos últimos 12 meses, correspondendo a 30% das citações. Em segundo lugar estão os pagamentos de gastos correntes da casa, como aluguel, água, luz, telefone e compras do mês, com 28% de registros.
Da Agência CNM, com informação da Agência Brasil