A dor nas costas está no topo do ranking das doenças que mais afetam os trabalhadores brasileiros. Segundo dados da Previdência Social, no ano passado (2015), 97.717 pessoas pediram afastamento por causa de problemas na coluna (dorsopatias). Após identificar o problema em agricultores no Noroeste gaúcho, pesquisadores da Universidade de Cruz Alta (Unicruz), com apoio da Universidade dAuvergne (França) e da Universidade de Santa Catarina (Udesc), receitam disciplina e exercícios físicos.
A pesquisa Qualidade de Vida na Atividade Leiteira é coordenada pelo curso de Fisioterapia da Unicruz. A Emater/RS-Ascar também apoia a pesquisa como mediadora, conectando os pesquisadores aos agricultores familiares interessados em fazer parte do projeto.
Nós ouvimos muitas queixas quando fazemos visitas nas propriedades rurais: dói as costas, dói o joelho, não consigo dormir bem, contou a extensionista da Emater/RS-Ascar do município de Condor, Roseli Seitenfuss.
O agricultor Moacir Gues tem apenas 36 anos e também se queixa de dores. Sinto muita dor quando carrego peso, saco de adubo, algum implemento, quando troco a roda do trator, chego a não poder caminhar depois, disse Gues.
No começo do ano, o agricultor e a extensionista fizeram uma bateria de exames no campus da Unicruz. No total, participam do projeto 50 pessoas, dez extensionistas da Emater/RS-Ascar, 20 agricultores e 20 agricultoras, com idades entre 30 e 60 anos.
O que dói mais é a coluna, os braços, os ombros, joelhos, pernas, tenho bastante problema nas pernas, lamentou a agricultora Maria Lúcia Dess Besell Ahlert.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, professora da Unicruz Themis de Carvalho, o foco do estudo é a coluna vertebral, por isso são feitos exames que indicam desvios posturais, como escoliose hiperlordose, hipercifose.
Após os exames, o agricultor leva para fazer em casa uma lista de exercícios físicos que relaxam e alongam os músculos das costas, ombros, pernas, pescoço, braços e mãos.
Em 100% das pessoas que participaram da pesquisa no ano passado, as dores diminuíram com a prática diária de exercício físico. Para nós isso é muito gratificante e para o trabalhador, também, disse Themis.
A pesquisa não se limita ao laboratório da universidade. Em casa, os agricultores passam a receber assessoramento na hora de colocar o corpo em movimento.
Na propriedade da agricultora Karin dos Santos, no município de Panambi, a visita dos pesquisadores transformou o potreiro das vacas em uma imensa academia de ginástica ao ar livre.
Karin tem uma rotina cansativa de trabalho, com dezenas de agachamentos para ordenhar 18 vacas. Um dos joelhos dói, por isso, sempre que ela se agacha, tem de se apoiar no rabo do animal para voltar a ficar de pé. Como a construção de um fosso na sala de ordenha, que permitiria à agricultora tirar leite de pé, parece não estar nos planos da família Santos, a pesquisadora da Unicruz sugeriu algo mais econômico: um banquinho com rodas, que permitiria rodar o tronco sem pressionar o joelho. Ficar agachada, com o joelho retido, ocasiona o quê? Piora na lesão, disse Themis. A gente sabe que os detalhes, pequenas coisas, podem melhorar e muito a vida dos agricultores, concluiu a pesquisadora da Unicruz.
Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar – Regional de Ijuí