Moradores da Terra Indígena do Guarita, a maior Terra Indígena em contingente populacional do Rio Grande do Sul, no Noroeste do Estado, recebem capacitação da Emater/RS-Ascar sobre fruticultura, avicultura e horticultura. O trabalho está nas metas da terceira etapa do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, do Governo federal. Até o fim de 2019, mais de 300 famílias do Guarita devem ser capacitadas nestes e em outros temas importantes para a comunidade.
“Nós optamos por estes temas, avicultura, fruticultura e horta doméstica porque foram essas as maiores demandas para a elaboração de projetos, então foram escolhidos estes temas para as capacitações técnicas”, disse a extensionista da Unidade Indígena (UIN) da Emater/RS-Ascar, Karen Kelli Crespan.
As atividades tiveram início no dia 19 de setembro na comunidade Irapuá e na última sexta-feira (28), prosseguiram nos Setores Mó e Bananeira.
“Isto é muito bom, aprendemos com vocês e vocês aprendem com a nossa cultura. A gente está aí para ajudar”, disse o capitão Rivelino Amaral.
Capacitação
O desafio para os extensionistas é enxergar no local o recurso que pode ajudar a multiplicar os alimentos. Galhos secos de árvores suspensos sobre os canteiros da horta também fazem sombra para as verduras e dispensam a compra da tela do tipo sombrite. A cinza do fogão a lenha misturada com água e borrifada nas hortaliças repele a lagarta. Ao invés da ração comercial, as galinhas podem ser alimentadas com batata-doce, mandioca, moranga, milho, feijão, entre outros alimentos.
“O importante é chegar na comunidade e olhar a realidade e, a partir daí, fazer um trabalho adequado para essa realidade”, disse o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Antônio Altíssimo.
“Gostei do galinheiro que tu pode fazer pras galinhas, colocar os cestos dentro do galinheiro pra elas não pegaram chuva. O cercado sobre a horta pra fazer sombra, tu pode fazer com folha do mato”, disse a moradora do Guarita, Viviane Machado Fogaça.
Programa
O Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais combina duas estratégias: oferece serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) às famílias com renda mensal por pessoa de até R$ 85,00 e fomento, no valor de R$ 2.400,00, transferidos por meio do cartão do Programa Bolsa Família, para elaboração de Projetos Produtivos.
Além de elaborar o projeto técnico, os extensionistas da Unidade Indígena (UIN) acompanham sua execução. Fazem parte da equipe da UIN os extensionistas Cirineu Souto, Karen Crespan, Roseléia Soares e Vera Danette.
“As atividades buscam a promoção da segurança e soberania alimentar, a geração de renda e também a inclusão social e produtiva destas famílias” explicou a coordenadora regional do Programa Fomento, Isabel Robaert de Souza.
Números
No Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar atende 4.221 famílias indígenas, das etnias Kaingang, Guarani e Charrua, em 54 municípios.
Texto e foto: Emater/RS-Ascar Regional de Ijuí