Aguardada há décadas pela população do Rio Grande do Sul, a construção da segunda ponte do Guaíba teve início nesta terça-feira (14). O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, assinou a ordem de início das obras – em ato às margens da BR-290 – e acompanhou o trabalho dos operários para a instalação da primeira estaca. Considerada solução para desafogar o tráfego em um dos principais acessos à Capital gaúcha, a ponte deverá receber mais de 50 mil veículos diariamente, após sua conclusão, prevista para setembro de 2017.
Ao lado da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, do diretor-geral do Dnit, Tarcísio Gomes de Freitas, secretários de Estado e outras autoridades, Passos explicou que a obra vai gerar 2,25 mil empregos diretos. O ministro afirmou que a nova estrutura viária vai permitir a ligação da Região Metropolitana com a Região Sul. “É uma obra emblemática para o Estado. Temos uma ponte que foi construída há 56 anos, que faz a interrupção do tráfego diariamente por mais de uma vez por dia quando do içamento do vão central”, afirmou Passos.
Passos comparou os benefícios da nova ponte à construção da BR-448, a Rodovia do Parque, que desobstruiu o tráfego na BR-116. O ministro afirmou ainda que os moradores das ilhas próximas à ponte e do bairro Navegantes serão realocados na região. “Vamos ter todos os cuidados para fazer a construção das novas unidades habitacionais e trabalhar para que a execução da obra se dê de tal forma que haja sincronismo entre o avanço dos trabalhos e a remoção das pessoas para suas habitações definitivas”.
Secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, João Victor Domingues afirmou que o Rio Grande do Sul conta, pela primeira vez, com uma estratégia de investimento. “Este projeto de desenvolvimento busca a integração regional com a inclusão social, e é isto que hoje a ponte do Guaíba concretiza. Uma estratégia de desenvolvimento econômico e social em que a infraestrutura alavanca esse processo, reduzindo nosso custo de logística, integrando nossas regiões e incluindo socialmente moradores e moradoras”.
Durante a cerimônia, que foi acompanhada pelo secretário de Planejamento, Gestão e Participação Cidadã, João Motta, o secretário João Victor disse que a integração entre o Governo do Estado e a União, em mais de três anos, já resultou em R$ 6 bilhões de investimentos em infraestrutura em solo gaúcho.
Presidente de associação de moradores, Beatriz Gonçalves Pereira pediu às autoridades que a construção das unidades habitacionais acompanhe o mesmo ritmo das obras da ponte. Pelo menos 500 famílias que moram nas ilhas devem ser beneficiadas com as unidades habitacionais.
Obra
Sob responsabilidade do Consórcio Ponte Guaíba, formado pelas empresas Queiroz Galvão e EGT Engenharia, a obra tem custo estimado em R$ 649,6 milhões. Somente a ponte terá 2,9 quilômetros de extensão. Somando os acessos (4,4 quilômetros) – duas faixas de tráfego, refúgios central e lateral e acostamento – a obra terá um total de 7,3 quilômetros. Os vãos principais terão 28 metros de largura.
As obras começam a partir da intersecção das avenidas Dona Teodora e Voluntários da Pátria, finalizando na cabeceira esquerda da ponte sobre o Saco da Alemoa (passando pela Ilha do Pavão até a Ilha Grande dos Marinheiros). O empreendimento ainda prevê melhorias no sistema viário de Porto Alegre, como adaptações do acesso à Avenida Dona Teodora e dos acessos à BR-116 e BR-290, junto à Ponte do Saco da Alemoa, e melhoramentos na Avenida João Moreira Maciel.
Prolongamento BR-448
O ministro Paulo Passos também autorizou licitação – pelo Regime Diferenciado de Contratações (RDC) – para as obras de prolongamento da BR-448, a Rodovia do Parque. Serão 18,5 quilômetros de extensão, num trecho que vai do km 6 até a ERS-240, em Portão.
Texto: Felipe Bornes Samuel
Edição: Redação Secom